Conquista das oito horas<br>celebrada em Santarém
Tal como há 50 anos, é essencial que os trabalhadores se organizem e lutem pelas suas vidas e pelo seu futuro, realçou Arménio Carlos, em Santarém, ao intervir, dia 14, nas comemorações da conquista da jornada de oito horas nos campos do Ribatejo. O Secretário-geral da CGTP-IN lembrou, no debate promovido pela União dos Sindicatos de Santarém, que a conquista alcançada em 1962 representou mais do que um horário de trabalho, pois trouxe também o direito dos trabalhadores a vida pessoal e familiar, melhorou os salários, reduziu a precariedade e o desemprego. Hoje, o Governo PSD/CDS e os patrões tentam retirar estas mesmas conquistas e, por isso, é impreterível que os trabalhadores lutem pelos seus direitos, pela liberdade e pela democracia.
As comemorações, destacando no próprio lema que se tratou de «uma vitória de quem trabalha, uma vitória de quem luta e resiste», foram constituídas por um debate e por um jantar comemorativo e contaram com a presença de cerca de cem pessoas.
A abrir o debate, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, o coordenador da União de Sindicatos de Santarém destacou que se pretendeu valorizar e honrar os homens e mulheres que travaram a batalha pelas oito horas. Rui Aldeano disse ainda que a USS pretendeu mostrar aos mais jovens um exemplo a seguir, pela perseverança e coragem que acabaram por conduzir os trabalhadores dos campos ribatejanos até à vitória.
João Luís Madeira Lopes, advogado, realçou que as oito horas de trabalho foram mesmo uma conquista, conseguida porque os trabalhadores não ficaram presos à lei e decidiram tomar o futuro nas suas mãos.
Foram exibidos dois vídeos, com uma breve entrevista a Maria Rosa Viseu, operária agrícola reformada e antiga delegada sindical, e uma saudação de Francisco Canais Rocha, historiador, que elaborou um estudo especialmente para estas comemorações.
Palavras de encorajamento aos jovens foram proferidas por Maria Galveias, operária agrícola que participou nas acções de 1962 na Freguesia do Couço. Recordou que, se não fosse o PCP, os trabalhadores nunca se teriam sabido organizar como se organizaram para as lutas nas praças de jorna.
Em ambas as iniciativas foi realçada a importância de participar na grande manifestação que a CGTP-IN convocou para dia 29, no Terreiro do Paço.